Por Paulo Sá

Em novembro do ano passado, foram divulgadas na mídia falas do então presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Dante Mantovani, a respeito do rock, que gerou  muita polêmica.

Segundo Mantovani, o “rock ‘ativa’ as drogas, ‘ativa’ o sexo livre, ‘ativa’ a indústria do aborto e ‘ativa’ o satanismo”. E ainda: “o próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo’”. 

Tais argumentos consideramos falsos e preconceituosos contra esse gênero musical. A veiculação do “mal” ao rock já é antiga. Elvis, em suas primeiras aparições na TV, já preconizavam o seu “contato” com o capeta. Podemos citar também a metáfora envolta na arte de Robert Johnson, um dos maiores nomes do blues: a lenda narra que Johnson teria feito um “pacto com o demônio” para que se tornasse o maior “violeiro” do blues. 

Em tempos mais recentes, surgiram rumores de que “Stairway to Heaven”, o maior hit do Led Zeppelin, conteria mensagens satânicas se a música fosse tocada ao contrário(!); os Beatles, por sua vez, trazem nas músicas “Revolution 9” e “Helter Skelter” menções vinculadas com o mal; e não podemos nos esquecer dos campeões de tais sugestões demoníacas: a banda inglesa Black Sabbath.

Mas tudo não passa de lenda. Em todas as artes ocorre essa dualidade envolvendo o bem e o mal, um empréstimo de metáforas para o processo criativo, o que torna esses discursos desprovidos de crítica estética e/ou musical, constituindo, sim, um ataque meramente fortuito com propósitos não muito claros.

Associação Cultural do Rock: o que é e por quê?

O fato ocorrido no final do ano passado, colocando, talvez, em xeque o valor artístico, cultural e de entretenimento do rock nacional, fez com que pessoas ligadas de alguma forma a esse estilo pensassem em algo que o posicionasse num patamar que ele merece e é de direito.

A história do rock nacional vem se construindo desde o fim dos anos 1950, quando, em 1957, Caubi Peixoto (!) gravou  o primeiro rock em português, “Rock and Roll em Copacabana”; em meados da década de 1960 foi a vez da Jovem Guarda, com Roberto Carlos e Erasmo Carlos, e dos Mutantes, entre outros; nos anos 1970, os shows em parques abertos, em teatros de renomadas faculdades de São Paulo, como Getúlio Vargas e Mackenzie, e as salas Bandeirantes e Ruth Escobar, com as bandas Terço, Made in Brazil, Joelho de Porco e Vímana, entre outras; e o boom dos anos 1980, com Titãs, Blitz e Barão Vermelho.

Show
O Rock não morrerá… Nunca! Foto: Johanes Havn/Pexels

E para preservar essa história e continuar a escrevê-la foi criada a Associação Cultural do Rock (ACR).

A ambição da ACR, no entanto, vai além. Seu desejo é sedimentar e valorizar a criação do rock autoral brasileiro e, com isso, agitar o cenário roqueiro nacional.

A Associação não é simplesmente um grupo do Facebook, trata-se de uma instituição organizada juridicamente, suprapartidária, com o intuito de criar e implementar projetos e leis, obter recursos e viabilizar as atividades artísticas dentro do setor do Rock.

O objetivo da ACR — além de corroborar com a ideia de que o Rock, em especial o Rock autoral brasileiro, é uma manifestação artístico-cultural importante para o país — é  participar de fóruns e comissões de cultura a fim de conseguir parcerias com o poder público.

O que você encontrará na Associação Cultural do Rock?

A base da Associação Cultural do Rock (ACR) será o site: acrock.com/br. Nele, o visitante poderá consultar editais, leis da área musical, endereços de estúdios de ensaio e inúmeros serviços oferecidos. 

Navegando pelo site, o visitante encontrará no menu ACROCK:

Já o menu GUIA DE SERVIÇOS apresenta:

O site apresenta ainda dicas e tutoriais de vídeos, de instrumentos e de equipamentos, blog e mais: links de lojas de discos, de instrumentos, de roupas e acessórios e merchandise!

Venha fazer parte da ACR inscrevendo-se no SITE!

 


Paulo Sá é músico e escritor.

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