Marcello Pompeu: como sempre, com o vocalista do Korzus, é papo reto!

Marcello Pompeu
Foto: Du Firmo (@dufirmo)

Por Vagner Mastropaulo

Gradativamente, o projeto de entrevistar os cinco membros do Korzus vai encorpando, agora com Marcello Pompeu, que, ao seu melhor estilo, alternou respostas supersucintas a algumas perguntas e inesperadamente desatou a falar em outras. “Pomps”, como o frontman carinhosamente se refere a si próprio, é sem filtro, diz o que pensa e se diverte. Apenas não o reduza ao folclore do padrão mediano do (headbanger) brasileiro… ele reflete e sabe o que diz, esbanjando autenticidade, é claro. Sem delongas, vamos ao que interessa:

Vagner Mastropaulo: Comecemos pela estória do nome da banda, que é de domínio público, mas com abordagem distinta. Em entrevista a Lucas Steinmetz, o “Moita”, e seu Heavy Talk em agosto do ano passado, você contou que “Korzus” saiu de “Marcos Korzus”, escrito num guarda-roupa na casa do Zema, baterista do Sonho Maníaco [nota: na página 14 da biografia de vocês, “Guerreiros Do Metal”, Maurício Panzone resgata um detalhe diferente: o rabisco estava numa parede]. Você ainda explicou que: à época, era prática comum os músicos assinarem com um apelido, como “Hammer, Death ou Killer”; que tiraram o “Marcos” para batizar o grupo; e que ele, amigo de vocês, ficou puto porque teve que trocar a alcunha. O que você não disse, e fiquei curioso a respeito, é de onde o tal Marcos tirou o termo “Korzus”. Você chegou a ficar sabendo?

Marcello Pompeu: Parece que foi de um filme e ele ainda trocou o nome. Acho que o personagem era um tal de “Korozum”, algo assim [nota: em matéria de 07/06/13, Dick já havia batido um papo com Geraldo Andrade, do site Heavy ‘N’ Roll, a respeito do tema e a grafia adotada foi a mesma, fato descoberto por este escriba apenas na hora de editar esta entrevista. A conversa pode ser lida aqui.]

VM: Nessa mesma entrevista, como parte da primeira resposta, você afirmou que “às vezes você vê, hoje, as pessoas reclamarem que tem muito show de gringo no Brasil, mas (…) que lá nos anos oitenta isso que acontece hoje é o que a gente queria”. Dois pontos aí: nos anos oitenta, os shows internacionais de grande porte realmente ainda rareavam por aqui, tanto que daria para contar nos dedos os que rolaram: Queen, Kiss, Van Halen, Rock In Rio e aí o cenário se tornou bem mais frutífero. Como era ser um fã de rock lá atrás? Devia ser, de fato, um sonho ter esses artistas no país e outro sonho um dia imaginar ter mais…

MP: Sim, o que acontece hoje realmente era o sonho de todo headbanger dos anos oitenta. Hoje você pode ver quem quiser sem sair do país, basta ter paciência que uma hora eles vêm. O Brasil, com certeza, se tornou rota de shows.

VM: O segundo ponto é algo que jamais parei para pensar: a parte sobre ver gente reclamando que há shows estrangeiros em demasia por aqui. Por que será que as pessoas se queixam disso? Seria pela falta de grana para ir a todos e ter de escolher? Ou pela redução de oportunidades para as bandas locais? Se for por isso, vale o mesmo raciocínio para a Premier League, citado em “Soccernomics”, de Simon Kuper e Stefan Szymanski: excesso de estrangeiros na liga diminui o espaço para talentos ingleses florescerem, mas os jogadores nativos que lá surgem se desenvolvem ainda mais por enfrentarem o que há de melhor no cenário futebolístico mundial. Como você enxerga esse embate filosófico?

MP: Acho que praticamente você já respondeu o benefício disso. Quanto ao mínimo, pode ser o valor do ingresso de bandas gringas. Vamos pensar: é caro para cacete! Há casos em que o produtor acha que vai ser a chance da vida e vai ficar rico com um show. Aí também esses lances de pista premium, pista tal, pista azul… talvez em lugares grandes, abertos, faça sentido, mas num Carioca Club? Sinceramente, acho desnecessário. Vejo como caça-níquel e esfolamento na inteligência do banger brasileiro.

VM: Num momento interessante da conversa, lembrando que o Ricardo Confessori teve uma rápida passagem pelo Korzus, você foi categórico: “Se hoje sou produtor musical, é graças ao Ricardo porque, dentro da casa dele, onde a gente ensaiava, ele queria fazer um estúdio. Juntamos dinheiro e começamos a trabalhar com isso. Ele parou e eu continuei”. E nas páginas 54/55 de “Guerreiros Do Metal”, há uma foto simbólica com a seguinte legenda: “Pompeu ‘brincando’ na mesa durante as gravações do disco Sonho Maníaco. Na lateral, dá para ler que é de abril/87. O que parecia zoeira ali, e indiretamente começou com o Confessori, virou trabalho sério. Lá atrás você se via como um produtor e pensava em se tornar um no futuro?

MP: Olha, se eu disser que imaginava, estaria mentindo. Mas sempre gostei da atmosfera da profissão, tanto é que comecei a produzir bandas bem antes de ter meu espaço. Foi na década de noventa com o Siegrid Ingrid [nota: para a banda, Pompeu produziu a demo The Path To Nothinghess (98) e o début The Corpse Falls (99)].

VM: Nessa função, você retornou aos trabalhos em 14/09, apenas com hora marcada e tomando todas as precauções. Você deve ter se especializado em produção de rock/metal, ou estou errado? Os artistas do estilo são os que mais te procuram? Já rolou de produzir segmentos musicais que pouco têm a ver com o que você apresenta nos palcos? E, se sim, é mais fácil ou mais difícil do que produzir thrash, que você conhece tão bem?

MP: Sim, anunciei o retorno nessa data, mas está bem difícil de colocar tudo no lugar. Em meu estúdio, são catorze artistas afetados pela pandemia e sete meses parado. Além do mais, muitos equipamentos não ligaram pelo desuso, acredito. Para botar a agenda no lugar e entregar tudo, projeto para março/21. Graças a Deus, meus clientes são muito pacientes e muito legais nesse ponto. E é normal eu ser procurado por artistas do metal já que sou famoso na cena, mas trabalho com qualquer gênero musical se for preciso, se estiver a fim e se for rentável. Qualquer trabalho na área de áudio é complicado e árduo.

VM: Bandas mais novas, principalmente as estreantes em estúdio, devem te olhar primeiro como o frontman do Korzus para depois te enxergarem como produtor. Isso ocorre com frequência? E é comum artistas aspirantes te pedirem conselhos?

MP: Isso sempre ocorre e estou sempre disposto a dividir um pouco da minha experiência. Na real, tenho essa obrigação com a cena e com o heavy metal.

VM: Você devia estar ansioso por esse retorno ao estúdio? Como tem sido?

MP: Ainda não estou trabalhando com força total devido a essa tal “segunda onda”. Vou aos poucos, mas senti muito a ansiedade para o retorno, assim como voltar aos palcos.

VM: Talvez entre os fãs, pouca gente saiba, mas você é ganhador de um Grammy Latino, como produtor de Depois Da Guerra, do Oficina G3. Desde a pré-produção, você acreditava no potencial do álbum e trabalhou arduamente para que isso acontecesse. O que te dava toda essa certeza de que o prêmio viria?

MP: Olha, não acho que seja pouca gente, não. Na cena, a maioria sabe. Tanto é que, em quase todas as lives de entrevistas que tenho feito durante a pandemia, esse assunto virou tema novamente. Até porque é o único prêmio Grammy do metal nacional. Quanto ao trabalho, acreditar e saber da vitória, senti-la… acho que foi meio divino.

VM: Há uma estória clássica sobre o Grammy original e o Metallica: ao lançarem …And Justice For All (88), eles perderam o prêmio de Melhor Performance Vocal/Instrumental de Hard Rock/Metal para o Jethro Tull (sim, acredite!). Ao vencerem com Metallica (91), Lars Ulrich, bem-humorado, agradeceu aos ingleses por não terem soltado nada naquele ano. Já com relação ao Oscar, há quem minimize e quem superestime a importância da honraria. Nesse amplo espectro, que pode ir do pouco reconhecimento à extrema valorização, qual a real importância que o Grammy tem para você?

MP: Hum… boa pergunta, mas que não sei responder sem ser convencido e pragmático. Prefiro dizer que esse prêmio não é só meu e da banda Oficina G3, mas de nossa cena como um todo, já que ė o único no metal brasileiro.

VM: Mudando de assunto, em meio à pandemia, o que você, pessoalmente falando, e a banda têm feito, nesse tempo todo, para não enlouquecerem, que seja ficarem com a família (algo raro para um artista) ou no sentido de prepararem algo para o Korzus?

MP: Olha, está sendo desesperador e já foi insano, no início. No começo, só pensei em coisas ruins, como no final do mundo, algo sem fim e perdi muito tempo nisso. Tive que aprender a cuidar da minha casa, pois meu pai, de oitenta e sete anos, mora comigo e está muito doente. Tive que cuidar dele e entender muito sobre Alzheimer, já que o caso dele é grave. Aprendi a cozinhar, minhas tarefas do lar começam às 9:00 e vão até as 13:00, 14:00. E agora estou voltando ao campo de trabalho com o Armored Dawn, de quem sou diretor artístico. Quanto ao Korzus, fizemos algumas poucas coisas: temos uma coletânea para acabar, gravamos uma música para o Tributo do Slayer e, assim que a pandemia se for, vamos recuperar todo esse tempo.

VM: Assisti à live no Manifesto em 20/06 e você, como sempre, foi autêntico. Digo, você não ficou se controlando para não dizer palavrões, afinal de contas, ela uma live de metal e do Korzus, mesmo sendo uma transmissão que os fãs podiam acompanhar com filhos em casa. Imagino que vocês não pararam para pensar em nada disso, certo? Não ia rolar dar uma “maquiada” e evitar palavrões…

MP: Olha, não era para falar palavrões, mas, como você disse, foi bem autêntico e acabou saindo. Não queríamos fazer essa live como se fosse um show, pois não tinha galera. Resolvemos fazer como se fosse um ensaio transmitido para o Brasil, bem normal e com as zoações e piadas que fazemos uns com os outros. Acho que os palavrões foram meio ilustrativos do nosso dia-a-dia de ensaio. E assim foi, mais de quarenta mil pessoas assistindo online. Muito foda!

VM: Por razões óbvias, não ia dar para você cantar mascarado, embora todos os outros membros tenham feito uso da proteção ao tocarem, salvo os momentos de hidratação ou em alguma fala específica entre as músicas. Você chegou a ensaiar de máscara e cogitar a ideia de usá-la? Ou era algo fora de cogitação desde o princípio?

MP: Sim, tentei, mas ė sufocante e não conseguiria cantar dessa forma.

VM: Foi muito bonita a menção a seu pai e sua homenagem aos três filhos Lyon, Allan e Otto antes de “Correria”, que deveria contar com a participação do primeiro deles, baixista do Mothera, mas que acabou não acontecendo. Vocês pensam em chamá-lo para algum outro show no futuro ou até mesmo para gravar algo em estúdio?

MP: Com certeza!

VM: Rodrigo e Heros tocam no Armored Dawn e Antonio tem diversos grupos paralelos. Você nunca cogitou ter um projeto para, de repente, buscar maneiras alternativas de se expressar artisticamente? Ou, de repente, até cantar com vocais limpos?

MP: Mas eu tenho [risos]. Tenho o Pomparças, banda de eventos em que fazemos clássicos do rock, hard e metal para o “Pomps” cantar do jeito dele [nota: projeto que chegou a se apresentar no SP Rock Show, festival gratuito no Vale do Anhangabaú em 25/11/18, junto a P.A.D., Eutenia, Pavilhão 9 e Sepultura, com cobertura aqui pelo Alquimia Rock Club]. Canto com o Last Shadow, de Santa Bárbara d’Oeste, banda do estilo djent metal que, por causa da pandemia, ainda não pôde gravar um trabalho. Canto com o Black Swell, do Paulo Igna, junto de Ricardo Confessori e Fabio Carito [nota: tentando justificar e consertar a pesquisa mal feita por este escriba, o EP The Higgs Boson possui quatro faixas, curiosamente com subtítulos dos quatro elementos da natureza, e saiu em 28/02]. E tenho minha carreira solo, cantando pelos quatro lados do país com bandas locais me acompanhando. E ainda estou com um disco meu no forno também. Fora da música, faço poesias e posts num dos meus perfis do Facebook e pretendo lançar um livro, além de começar a pesquisa para um outro.

VM: São quase quatro décadas de vocal gutural e sua técnica só tem evoluído ao longo dos anos. Você faz algum tipo de exercício de voz ou aquecimento antes dos shows ou para gravar em estúdio? Que tipo de cuidados você toma?

MP: Obrigado pelos elogios! Mas… não faço exercícios. Sou de uma época em que isso não existia nas nossas vidas e me acostumei assim. Chego, faço uns dois ou três “Yeahs” e pau na máquina. Mas, agora, com o conhecimento, aconselho os exercícios, meus cuidados e a não tomar gelado.

VM: E você chegou a fazer aulas de canto para aprimorar estilo e técnica? Procurou seguir dicas de algum fonoaudiólogo? Ou tudo foi “apenas” sendo desenvolvido na raça, por tentativa e erro?

MP: Tive aula no início, por um ou dois meses, mas era muito caro e eu não tinha condições de pagar. Nunca mais procurei nadinha.

VM: Estive no lançamento de “Guerreiros Do Metal” na Central Panelaço em 19/12. Num dado momento, na conversa de vocês com Maurício Java, do Sonoridades, Rodrigo revelou que já há uma música pronta e mixada há uns dois anos. Você mesmo brincou e citou que não era algo unânime, em função da guitarra-base, mas que havia um clipe engatilhado que poderia sair em 2020. Com a pandemia, suponho que as atividades tenham sido suspensas, mas já deu para chegar a um consenso sobre tudo isso?

MP: Dois “sins” [risos]. Sim para a pandemia e sim para consenso.

VM: E o que mais vocês têm engavetado e que poderia sair em breve? Não está na hora de brotar um sucessor de Legion?

MP: “Engavetado”, nada. Mas tenho vontade de fazer um novo álbum com o Korzus.

VM: Retomando o ótimo papo com o Heavy Talk, mas agora aludindo à parte lírica de Legion, você disse: “Letras falando de protesto, do que a gente acha que é opressão, do que falta para o mundo e para o heavy metal. Músicas de autoajuda, para você nunca se abater pelas circunstâncias no exterior da sua vida, ao redor”. O termo “autoajuda” sofre bastante preconceito, de modo geral, pois é associado à neurolinguística e aos livros do Lair Ribeiro. E foi a primeira vez que vi um artista do meio admitir que o metal, sim, lança mão da autoajuda, com frequência até, e que não há problema em trilhar por esse caminho. De onde você acha que vem essa vergonha coletiva em reconhecer o uso desse conceito no metal?

MP: Noooooossa… nem sei quem é esse aí [risos]. Estou cagando para ele e o que pensam dele. Escrevo o que sinto, o que vivi e o que me contaram, que, de alguma forma, acho que pode ajudar alguém. E o termo mais próximo para isso que usei foi “autoajuda”, mas se realmente há teoria, peço desculpas pela minha ignorância [risos].

VM: Finalizando a parte sobre o Heavy Talk, no bate-papo você não se furtou de falar sobre um tema mais sério, o suicídio do Zema em 1988, que tocou bateria na banda entre 86/87. No livro, há seis páginas e um capítulo inteiro dedicados exclusivamente a ele (fora outras menções na obra como um todo). Elaborando “Guerreiros do Metal”, deve ter batido uma mega saudade dele e vocês devem pensar nele ainda com frequência, não?

MP: Vira e mexe eu penso nele ou falo dele, sim. Uma perda para o metal.

VM: Lendo o livro, descobri que ele era filho do Álvaro Paes Leme, fundador da Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol, professor de arbitragem e cronista esportivo falecido em 1984. Além disso, o baterista era irmão do Álvaro José (hoje comentarista da Bandsports e pai da atriz Fernanda Paes Leme), que, à época do Zema no Korzus, bombava na TV aos domingos ao lado do Luciano do Valle no Show do Esporte. Algumas fotos no livro mostram ensaios na casa do Zema e então se conclui que, de alguma forma, você chegou a conviver com a família dele. Que lembranças você tem dessas pessoas e daquela época?

MP: Sim, convivemos. Eu me lembro do Sr. Álvaro sentado na poltrona da sala vendo TV. Ele era de poucas palavras, mas sempre bem educado. Também me lembro da mãe do Zema, que era um amor comigo, e dos dois irmãos dele. E me lembro da Fernanda bem bebê, começando a dar seus primeiros passos.

VM: Agora uma pura curiosidade: meu nome é com “V” e confesso que me incomodo quando alguém o grafa com “W”, pois parece que é “outra pessoa”. Como você se sente quando escrevem “Marcello” com um “l” só? Imagino que as pessoas nem façam por mal, mas que aconteça bastante. Chega a te irritar ou tanto faz a esta altura do campeonato?

MP: Já me irritou mais, hoje não ligo. Se der para alertar antes, eu o faço. Caso não dê, paciência e vida que segue. Não é um “l” que vai tirar minha paz interior [nota: a ausência da letra não parece incomodá-lo, mas em 23/10 o vocalista fez uma postagem engraçada em seu Facebook relatando a confusão gerada por seu sobrenome na hora de pedir “um café diferente”, palavras dele mesmo. Não daremos spoiler, mas vale a checagem].

VM: Uma das experiências mais exóticas que já tive em shows foi ter ido ao Metal Open Air, no Parque Independência, em São Luís (MA), em 20 e 21/04/12. Como fã, comecei a sentir que havia algo de errado ao chegar de ônibus no local do evento e absolutamente ninguém checar, cobrar ou validar meu ingresso. Em que momento você, sob a perspectiva do músico, sacou que tinha algo estranho no ar e que o festival não vingaria?

MP: Bem… Que tinha algo estranho, foi uns dois dias antes de embarcar, quando o Aquiles Priester me ligou de algum lugar do Norte ou Nordeste, em plena tour, me alertando e indignado, pois ele e banda estavam praticamente ilhados por não terem recebido a porcentagem de cachê combinada para seguirem viagem para São Luís. Ali já senti cheiro de confusão no ar, mas nosso cachê foi pago na totalidade antes de sairmos de Sampa e nossas passagens estavam todas ok. Quando chegamos a São Luís, o panorama e as notícias que circulavam eram terríveis. Por fim, coube a nós honrarmos nosso contrato, honrarmos o metal, honrarmos os bangers ali (mais de dez mil) e encerrarmos o festival, que não vingou porque foi muita farinha para um saquinho só e os donos brigaram entre si numa verdadeira comédia pastelão com resultados negativos astronômicos.

VM: Mesmo assim vocês foram ao palco e, uma vez que não houve shows no domingo, vocês fizeram uma apresentação monstruosa “encerrando” o evento no sábado. Algo que jamais me esqueci foi você agradecendo ao público, com o setlist ainda em andamento, pelo fato de a galera tratar vocês como se fossem o Iron Maiden naquela noite. Que lembranças, agora focando nas positivas, você guarda dali?

MP: De poder dar felicidade às pessoas que tanto sofreram, gastaram por algo que não receberam por parte de outros artistas que ali estavam e foram embora com cachê no bolso e tudo. Ver os sorrisos, a felicidade, ver todos se divertindo naquelas três horas de show, o mais longo da minha carreira. Foi um fato que jamais me esquecerei dentro desse problema todo e hoje durmo tranquilo quando o assunto é o Metal Open Air.

VM: Você fez questão de homenagear André Matos, tanto na live quanto na Audio, quando os irmãos Cavalera trouxeram clássicos de Beneath The Remains e Arise em 16/06/19 (confira a resenha do show aqui), afinal de contas, tocando o Ties Of Blood, “Evil Sight” não poderia ficar de fora do setlist. À época da gravação, como se deu a participação do vocalista? Vocês o contataram ou a ideia foi dele? De onde surgiu a colaboração?

MP: A ideia foi minha e o convite também. Éramos muito amigos e nos respeitávamos muito desde os anos oitenta. Não nos víamos sempre, mas quando nos encontrávamos eram horas e às vezes dias de resenhas intermináveis.

VM: Com a morte dele, um documentário, que, a princípio, era para ser sobre o Angra, teve o foco redirecionado para o vocalista. Esperamos que o Korzus permaneça forte ainda por muitos e muitos anos, mas, após o livro, vocês não pensam em fazer um documentário próprio sobre a banda? Ninguém nunca os contatou a esse respeito?

MP: Quem sabe?

VM: Fiz referência a esses dois shows e em ambos vocês não tocaram a última faixa, “Peça Perdão”. Qual o motivo da ausência? Daria muito trabalho emular os vocais de João Gordo (Ratos de Porão), Otto Taurus (Força Macabra) e Redson (Cólera), como em estúdio?

MP: Exato, logística difícil.

VM: Falando em colaborações, você acaba de participar de uma junto a Neila Abrahão e Marco Loureiro (guitarras) e Kuky Sanchez (baixo) tocando “Crazy Train”, do Ozzy. O clipe apresenta uma faceta alternativa sua, pois, embora as linhas vocais permaneçam características e agressivas, como no Korzus, elas soam um pouco mais limpas. Outra mudança são traços mais cômicos seus, no melhor sentido do termo, praticamente atuando. Deve ter sido bem divertido fazer o clipe. Como surgiu o contato? Você pensa em fazer outras “collabs” nesses moldes no futuro?

MP: O convite foi feito pela Neila, que já conheço há muito tempo. Topei fazer pelo fato de muitas collabs estarem rolando e queria fazer uma também. A música escolhida por eles também era bem legal, fora da minha zona de conforto, e topei, mas não sabia o trabalho que daria… [risos] achei que seria mais fácil, porém, por sorte, estou cercado de grandes profissionais que me ajudaram. O Heros mixou minhas vozes e o Edu Firmo criou o conceito e os personagens, me dirigiu e filmou. Eu me diverti muito com esse trabalho, logicamente dei umas mudadinhas nas linhas vocais para encaixá-las no meu estilo e tomei muito cuidado para não descaracterizar a música original.

VM: Cara, é isso! Deixe um alô aí para os fãs que resistiram até o final desta entrevista!

MP: Um grande abraço e um grande beijo no coração de todos. Muito metal na veia e muito amor no coração. Obrigado a todos vocês, headbangers. Sem vocês, eu não seria nada… “Is we”!

Caso você esteja chegando agora a esta série de entrevistas, seja muito bem-vindo. Se quiser ler como e onde tudo começou, basta clicar aqui para ler o bate-papo com o guitarrista Antonio Araújo.


Agradecimentos: a Isabele Miranda (assessora de imprensa)

Fonte: Alquimia Rock Club

 

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